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A HISTÓRIA DO TURISMO E O DO CHOCOLATE DE GRAMADO

Desde a chegada de seus primeiros habitantes por volta de 1875, o antigo lugarejo colonial vem se reinventando e aproveitado de seu clima e natureza privilegiados, além do real engajamento público-privado para se desenvolver.

Antes, porém consolidado entre as décadas de 1920-1930, Gramado atraia visitantes e veranistas por sua qualidade paisagística e pelo seu clima ameno – sendo então considerado como propício à saúde e ao tratamento de doenças respiratórias recomendadas pelos ditames da Medicina, que recomendavam temporadas em locais de maior altitude como benéficos para o tratamento da tuberculose e de outras doenças respiratórias, comuns no período.

Assim, com a oportunidade, hotéis foram abertos para receber os veranistas; que conveniados pela facilidade de chegada à localidade, devido à estrada de ferro que vinha de Porto Alegre em 1920, somado às más condições das estradas que ligavam a capital ao litoral Gaúcho, passaram a ser um número considerável no período entre os meses de dezembro a fevereiro (daí a palavra “veranista”); vindos para ficar por alguns dias ou toda temporada de verão.

Mais tarde, no período das grandes guerras europeias, as praias do Brasil estavam fechadas ao público, por motivo de segurança nacional; fato que colocou Gramado, de novo, como opção de veraneio, motivados pela hospitalidade, pela gastronomia e pela paisagem, que lembraria a Europa.

O cenário de prosperidade fez emergir, em 1942, o foco no turismo de segunda residência. O local obteve um empreendimento que reflorestou as margens do Lago Negro e fez um trabalho de paisagismo, alterando ciprestes com álamos vindos da floresta Negra da Alemanha; plantou ainda azaléas e araucárias, colocando xaxins na beira do lago; para que os visitantes pudessem tomar banho de sol, fez uma praia de areia. Para divulgar o empreendimento, criaria o que seria o primeiro roteiro turístico da cidade, denominado “Gramado, Maravilha do Veraneio”. Também fez o primeiro trabalho organizado de divulgação do turismo de Gramado em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul.

Mas a trajetória do turismo no local não aponta apenas momentos de sucesso, como se observada na situação da estrada de ferro. Em 1950, a desativação da linha férrea atingiu profundamente o município, somados à melhoria da infraestrutura que ligava as pessoas ao litoral do estado, Gramado ficara fora da rota dos turistas.

Foi então que a partir dos anos 50, na época da emancipação política do município, que o desenvolvimento do turismo na localidade foi estimulado por ações de empreendedores locais e por uma política de realização de eventos, que uniu autoridade pública, iniciativa privada e comunidade em prol da cidade. Esta foi a deixa para a ascensão da produção artesanal – vindas das habilidades manuais da geração colonizadora -. Produtos genuínos como calçados, malhas e móveis, com requinte e bom gosto, se tornariam sinônimos de Gramado, com qualidade e certificado de origem, que elevariam e dissipariam por mais uma vez o nome de Gramado.

A partir dai, em meados dos anos 70, houve uma iniciativa ousada e isolada de um empresário de criar a primeira fabricação de chocolate artesanal do Brasil em Gramado, deflagrando assim um novo momento, principalmente pelo fato de isto ter ocorrer ao mesmo tempo em que a 1ª edição do Festival de Cinema de Gramado acontecia; quando a mídia nacional e internacional destacava cineastas e artistas, assim como os chocolates que à eles  eram dados. Esse evento, em especial, foi o marco para que Gramado passasse a ser reconhecida pelo chocolate e pela imagem do quão bom é estar em um lugar frio, em um lugar bonito, comendo ou bebendo um bom chocolate, e preparado artesanalmente. Isso somado a outras ações posteriores para dissipar a ideia do chocolate da cidade, causou fortes implicações no turismo e na economia da local, fazendo com que Gramado, por mais uma vez se reinventasse; como ainda acontece nos dias de hoje.

Atualmente, existem 19 fabricas de chocolate na cidade e é também por isso que agora em fevereiro de 2020, senadores devem votar o projeto de lei (PL 4.675/2019) que concede à Gramado o título de Capital Nacional do Chocolate Artesanal.

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